Realizamos no fim do ano passado em Jaguariúna a 97ª Reunião dos membros do Conselho de Desenvolvimento
da Região Metropolitana de Campinas (RMC). É um encontro onde debatemos as principais questões de
âmbito regional e buscamos formular políticas públicas conjuntas para a superação das dificuldades comuns. Como
vice-presidente deste Conselho, aproveito esta importante ocasião para destacar alguns pontos sobre os desafios e
a representatividade da RMC, a segunda maior região metropolitana do Estado e onde vivem cerca de 2,7 milhões
de pessoas.
O Brasil conta com 29 regiões metropolitanas institucionalizadas, somando 390 municípios, cerca de 7% das
cidades brasileiras mas que totalizam 40% da população do País. Essa concentração é uma tendência mundial.
Um exemplo é a Região Metropolitana de Tóquio, que engloba todas as cidades em torno da capital do Japão.
Com
aproximadamente 37 milhões de habitantes, é a mais populosa região metropolitana do mundo.
Os problemas das regiões metropolitanas vêm ganhando visibilidade nos últimos anos. No Brasil, em grande
medida, pela gravidade dos problemas urbanos e pelas implicações sociais, políticas e econômicas geradas por
esses problemas. As cidades abrigavam, há meio século, apenas 10% da população nacional. Atualmente, 82% das
pessoas vivem em áreas urbanas, com apenas 18% em áreas rurais, num processo de inchaço das cidades, que
gerou muitas desigualdades.
No Estado de São Paulo temos a Região Metropolitana de São Paulo, a Região Metropolitana da Baixada Santista
e a Região Metropolitana de Campinas. Esta última, criada em junho de 2000 e a qual pertencemos, é fruto de
uma mobilização de muitos anos e conta com dezenove municípios participantes. A RMC surgiu como uma esperança
para resolução de temas caros aos gestores públicos e aos moradores da região, entre eles segurança, saúde,
educação, habitação, saneamento básico e meio ambiente.
De forma mais ampla, além de um encaminhamento para a resolução dos problemas comuns, com o estabelecimento
da RMC se busca também o entendimento de uma visão mais ampla de administração. Exemplo: Jaguariúna
é uma cidade metropolitana, integrada com as demais da RMC; logo, todo nosso trabalho deve ser conjunto com os
demais prefeitos e nas Câmaras Temáticas, sem esquecer o envolvimento dos governos Estadual e Federal.
Estamos desta forma criando uma identidade regional.
O cidadão de Jaguariúna passa a ter consciência de que
o seu problema de habitação é também o do morador das demais cidades da RMC e que a sua resolução pode ser
acelerada se tratada regionalmente.
Os desafios são muitos e não podemos deixar de lado a necessidade de um planejamento estratégico que abarque
fatores vitais para o desenvolvimento econômico, social e ambiental da nossa região. Hoje, contudo, podemos
dizer que a RMC saiu do papel, de fato, e se tornou uma realidade no dia-a-dia das cidades. Ações isoladas deixaram
de fazer sentido entre nós, dando lugar a um espírito de integração e cooperação mútua. Estamos avançando na
construção da Consciência Metropolitana.