O clima esquentou e a violência
nos campos holambrenses passou dos limites. No fim de semana
passado, mais um bandeirinha foi agredido por um jogador. Desde o
mês passado, foram registradas outras seis agressões a árbitros e
auxiliares e uma invasão de campo nos campeonatos Amador e
Master em Holambra. Os socos, pontapé, agressões e
palavrões têm tirado o brilho dos dois campeonatos. Com as confusões, nos
fins jogos não há motivos para comemorar, pois muitos deles acabamna Delegacia de Polícia Civil. Na semana passada, em entrevista ao Jornal da Cidade, o coordenador
de diretoria da Arpal (Associação Regional Profissional de
Árbitros de Limeira), Luiz Roberto com as atitudes dos jogadores nos
campos holambrenses./
Ele comparou os dois anos anteriores, em
que a entidade foi responsável pela arbitragem no município, e ressaltou que os torneios deste ano estão mais violentos. No início do mês, três jogadores
agrediram o árbitro em uma partida do Master. No domingo passado,
durante a partida do Seca Lata e Vila Nova (A), pelo Amador, um auxiliar
do árbitro foi agredido a chutes por um jogador do Seca Lata.
Ferido, o bandeirinha foi encaminhado ao Pronto Socorro. Ele fez
um Boletim de Ocorrência e a polícia pediu exame de corpo delito. O
agravante é que o auxiliar tinha apenas 16 anos.
Contra a violência Procurada pelo jornal, a dirigente e técnica do Seca Lata, Maria do
Socorro Freire de Lima, repudiou a atitude do jogador de sua equipe.
“Não concordo com o que ele fez”. A dirigente ressaltou que continua
“extremamente” indignada com a violência nos campos da cidade. “Devemos
conscientizar que os torneios são organizados com a finalidade de promover
a paz e não a inimizade”. Porém, ela não concordou com a
escalação de um auxiliar menor de idade. “A Arpal estava consciente
do crescente número de agressões nos campeonatos. Por isso, deveria
enviar pessoas mais experientes”. O presidente da Arpal, Newton
Xavier Ribeiro, salientou que, como aprendiz, a Constituição Brasileira e
o regulamento dos torneios asseguram a participação a auxiliares acima de 14 anos. “O rapaz tem experiência, é filho de árbitro e, possivelmente, terá
um futuro maravilhoso na careira”.
Mas o presidente comentou
que, devido ao crescente número de atos violentos, a Arpal vai ter
“mais cuidado em escalá-lo” para Holambra. “A violência que temos
visto nos jogos deixa a desejar. São pessoas que estão levando problemas
internos e pessoais para dentro de campo”.
De acordo com Ribeiro, a Arpal apita em jogos de 17 cidades da região
e conta com cerca de 120 árbitros cadastrados. “Temos feito um
rodízio em Holambra com os nossos profissionais, porque os campeonatos
são bons e merecem qualidade”. No entanto, ele lamentou a atitude
“isolada” de alguns jogadores. “A Arpal vai tomar algumas
decisões para manter a integridade física e a qualidade de nossos
profissionais. Além de disciplinas esportivas e registros de boletins
de ocorrência, a associação irá entrar com uma representação judicial
contra esses atletas”. O conselho disciplinar da Arpal
tem aplicado aos agressores até dois anos de suspensão.
Até o
momento foram distribuídos 302 cartões amarelos e 49 cartões vermelhos
no Campeonato Amador. Já no Máster, os árbitros deram 53 cartões
amarelos e cinco vermelhos. Departamento de Esporte
Os dois campeonatos, Amador e Master, são promovidos pelo
Departamento Municipal de Esporte.
O diretor do órgão, Renato
Libanori, reforçou que os jogos estão mais disputados este ano.
“Pelo equilíbrio das equipes participantes e partidas mais acirradas é de se esperar um ligeiro aumento nas ocorrências dentro de campo”.
No entanto, o diretor acredita que a divulgação dos casos na imprensa
motiva o jogador a cometer mais atos violentos. “Acredito que
alguns jogadores e dirigentes aproveitam esses momentos, que deveriam
ser de puro lazer para a sociedade, para extravasarem seus
problemas particulares e seus descontentamentos com a vida”.
Libanori lamentou a violência nos campos holambrenses, mas salientou
que as agressões que foram feitas boletins de ocorrência são de
responsabilidade da parte ofendida, no caso a Arpal, e da Justiça. “Cabe
à associação e à Junta Disciplinar julgar os casos baseando no Código
Brasileiro de Justiça Desportiva. O departamento preocupa-se apenas
com a parte esportiva”, definiu.