Como diretor municipal de
saúde há 7 meses e médico do
Departamento Municipal de
Saúde há 15 anos gostaria de me
manifestar sobre a saúde de Holambra,
tema da última entrevista
com os candidatos a prefeito
da nossa cidade publicada na última
edição desse respeitado jornal.
Fiquei inquieto com algumas
afirmações contidas nas respostas
de alguns candidatos.
Hoje avalio a saúde de Holambra
de uma forma bastante
positiva. Conheço bem a realidade
do atendimento do sistema
público de saúde da maioria das
cidades da Região Metropolitana
de Campinas e, por meio da
mídia, também de outros lugares
do estado de São Paulo e do
Brasil. Por isso posso afirmar
que há muita dificuldade para se
administrar a saúde pública. Há
alguns anos ela foi municipalizada.
O município teve que arcar
com a maior parcela de responsabilidade
do serviço de saúde,
porém com menos recursos.
Holambra investe em torno de
20% da receita em saúde, tendo
especialistas nas principais áreas
e exames além do que preconiza
o Sistema Único de Saúde
para o número de habitantes que
apresenta.
A Dengue que assolou o
país e matou muitas pessoas,
em nossa cidade, felizmente, já
faz mais de 8 anos que não há
casos dessa doença. Trabalho
destes profissionais ditos por
alguns dos candidatos a prefeito
como não qualificados. Temos
uma invasão de pacientes
de outras cidades procurando
nosso atendimento, somando
20 mil prontuários para uma
população estimada em nove
mil habitantes .
Dizer que o atendimento é
precário, que irão acabar com
as filas de marcação de consultas
e exames, que há falta de
remédios, que irão adquirir equipamentos
avançados e que há
despreparo dos profissionais é
uma atitude puramente oportunista
e eleitoreira.
Participei no inicio do ano de reunião realizada pela DRS
(departamento regional de saúde)
em que fomos informados
de que teríamos que diminuir
em 5% nossas internações para
que pudessem fechar o orçamento
da saúde. Uma atitude
inconcebível. Se não tivéssemos
criado o CONSAUDE estaríamos
em uma grande enrascada,
pois resolvemos com ele
mais de 80% das nossas
internações e cirurgias hospitalares.
Se dependêssemos única
e exclusivamente da central de
vagas da DRS, não teríamos o
que fazer.
Também quando dizem que
há 30% que reclamam da Policlínica,
avalio que 70 % estão
satisfeitos e estamos bem acima
da média regional e nacional.
Ainda dentro destes 30%
há reclamações facilmente resolvidas,
quando nos procuram.
Há muito o que fazer e que
melhorar e sempre terá. Confio
na minha equipe de trabalho. Sei
que cada um tem seu valor dentro
do serviço, por isto atingimos
o status de melhor saúde da
região. Sempre digo em nossas
para fazermos o nosso trabalho
da melhor forma possível, pois
não atendemos a uma pessoa
apenas, mas a toda população.
“Antes de entrar para a política,
enquanto ativista da proteção
animal, eu tinha uma visão
unilateral das ações do governo.
Após entrar para a vida
pública tive uma visão muito
mais ampla, consegui ver com
muita clareza como trabalham o
legislativo e o Executivo”, palavras
do deputado Feliciano
Nahimy Filho .
Estas palavras são a realidade
de quem já viveu dentro
da vida pública. Tenho certeza
que a vontade de todos os candidatos
é fazer o que falam, mas
há uma distância muito grande
entre falar e conhecer a real situação
da saúde no país e a do
município de Holambra.
Abraço a todos.