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Acordei assustada! Jamais
pensei em ver aquilo que estava constatando!
Sonhei que eu estava entrando numa toalete feminina,
numa grande feira de um país do qual nem deu para
saber o nome, e quase caí de costas quando percebi que
todas as portas dos banheiros eram de vidro levemente
jateados.
Resultado: poderiam ser admirados todos os
gestos das pessoas que ali estavam para exercer suas necessidades
fisiológicas sem a menor privacidade.
Deus
meu, pensei! Onde estamos? Será que isso é verdade?
Será que estão fazendo um teste para ver até onde chega
a tolerância da mulher de hoje?
Inacreditável! Parecia um pesadelo! Contei dezenas de “telas
de TV”, ou portas de vidro de banheiros. Perguntei a uma jovem o
que achava daquela inovação e ela me respondeu: deplorável!
Vi uma senhora idosa, bem gordinha, cheia de pacotes
e sacolas adentrar um dos banheiros.
Não sei se tinha
mais pena da senhora ou de mim, ao ver tamanho
absurdo! Todos os seus movimentos puderam ser vistos,
detalhadamente, como também os de outras pessoas
que podiam ser observadas através das portas de vidro.
Pensei estar em outro planeta, ou em algum lugar desconhecido
por mim. Afinal, depois de conhecer mais de doze países
do mundo, era a primeira vez que via essa novidade.
Será que estariam pensando em implantar esse sistema em
todos os lugares? Mas onde ficaria a privacidade, o pudor das
mulheres que usariam essas toaletes? Eu já estava pensando
como e o que poderia fazer para reverter essa situação.
O dia estava clareando e um bando de tuins, em altos piados,
encarapitados no pé de manacá, perto de nossa janela,
me acordou! Que sorte!
Graças a Deus, foi só um pesadelo!
Tinha certeza que qualquer bom arquiteto ou
decorador, brasileiro ou não, seria incapaz de implantar tal
esdrúxulo modelo de toaletes femininas em nosso país.
Ou estaria o mundo virando de pernas para o ar,
sem que o percebêssemos? Ilda Thereza Martini de Barros
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